Clinical evaluation of the relationship of posture, breathing and swallowing in chronic-state post-stroke patients: case report
Avaliação clínica da relação entre postura, respiração e deglutição em paciente pós-acidente vascular cerebral na fase crônica: relato de caso
Sináira Santos Seixas Simão; Vivian Urbanejo Romero; Karen Baraldi; Adriana Leico Oda; Celiana Figueiredo Viana; Ana Lucia de Magalhães Leal Chiappetta; Alexandre Pieri
Abstract
The Stroke is a neurological disorder that disables more adults. The breathing, posture and swallowing have a direct relationship in this disease, thus requiring a multidisciplinary approach. The goal of this study was to conduct a clinical evaluation integrated to analyze the relationship between these disorders. This case is a female patient aged 37 with six years of diagnosis of ischemic stroke with right hemiparesis complete predominantly crural, hypertension, dysphagia and dysarthrophonia. In history, reported symptoms related to dyspnea, pain in the lumbar spine, the presence of coughing and choking and drooling to food, especially during the speech. The patient has scoliosis, thoracic kyphosis and abdominal weakness. The evaluation showed a respiratory expiratory force below the expected range. The peak cough flow is lower than expected, demonstrating not have the strength to cough. The research revealed changes in speech increased time to eat, need to drink to help swallow solid food before any leaks, the need for multiple swallows due to the sense of stasis in laryngeal-pharyngeal cavity and decreased taste and thick and viscous saliva. Using physical and speech therapy evaluations, we concluded that a patient with stroke in chronic respiratory presents alterations that may prevent it from effectively protecting the lower airways, which, added to postural changes and swallowing show the importance of integrated assessment for future therapeutic interventions more effective.
Keywords
Resumo
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a doença neurológica que mais incapacita os adultos. A respiração, a postura e a deglutição possuem uma relação direta nesta doença, necessitando assim de uma intervenção multidisciplinar. O objetivo do presente estudo foi realizar uma avaliação clínica integrada para analisar a relação entres estas disfunções. Trata-se de uma paciente do sexo feminino com 37 anos, com seis anos de diagnóstico de AVC isquêmico com hemiparesia completa à direita de predomínio crural, hipertensão arterial sistêmica, disfagia e disartrofonia. Na anamnese, relatou sintomas referentes à dispnéia, dores na coluna lombar, presença de tosse e engasgos à alimentação e escape anterior de saliva, principalmente durante a fala. A paciente apresenta escoliose, hipercifose torácica e fraqueza dos músculos abdominais. A avaliação respiratória evidenciou uma força expiratória abaixo do limite esperado. O pico de fluxo da tosse está abaixo do esperado, demonstrando não possuir força para tossir. A investigação fonoaudiológica evidenciou alterações no tempo aumentado para se alimentar, necessidade de ingerir líquidos para ajudar na deglutição de sólidos, eventuais escapes anteriores de alimento, necessidade de deglutições múltiplas devido à sensação de estase em cavidade laringo-faríngea e diminuição do paladar, bem como saliva grossa e viscosa. Utilizando-se das avaliações fisioterápicas e fonoaudiológicas, foi possível concluir que uma paciente com AVC na fase crônica apresenta alterações respiratórias que podem impedi-la de proteger com eficiência as vias aéreas inferiores, o que, somado às alterações posturais e na deglutição demonstram a importância da avaliação integrada para futuras intervenções terapêuticas mais eficazes.
Palavras-chave
Referências
1. Fukujima MM. Acidente vascular cerebral. In: Ortiz K Z. Distúrbios neurológicos adquiridos: linguagem e cognição. São Paulo: Manole; 2005. p. 34-46.
2. Falcão IV, Carvalho EMF, Barreto KML, Lessa FJD e Leite VMM. Acidente vascular cerebral precoce: implicações para adultos em idade produtiva atendidos pelo Sistema Único de Saúde. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant. 2004;4(1):95-102.
3. Gagliardi RJ, Raffin CN, Fábio SRC. Primeiro Consenso Brasileiro do tratamento da fase aguda do acidente vascular cerebral. Arq. Neuro-Psiquiatr. 2001;59(4):972-80.
4. Caneda MAG, Fernandes JG, Almeida AG, Mugnol FE. Confiabilidade de escalas de comprometimento neurológico em pacientes com acidente vascular cerebral. Arq. Neuro-Psiquiatr. 2006; 64(3A):690-7.
5. Marcucci FCI, Cardoso NS, Berteli KS, Garanhani MR, Cardoso JR. Alterações eletromiográficas dos músculos do tronco de pacientes com hemiparesia após acidente vascular encefálico. Arq. Neuro-Psiquiatr. 2007; 65(3B):900-5.
6. Laufer Y, PT, R. Schwarzmann R, Sivan D, Sprecher E. Postural control of patients with hemiparesis: force plates measurements based on the clinical sensory organization test. Physiother Theory Pract. 2005; 21(3):163-71.
7. Lima MP. Método reequilíbrio tóraco-abdominal [homepage na Internet]. Florianópolis: Site do método reequilíbrio tóraco-abdominal; [atualizada em 2009 maio; acesso em 2010 dezembro 05]. Disponível em: http://www.rtaonline.com.br/
8. Silva LM. Oropharynx dysphagia after encephalic vascular accident in the elderly. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 2006;9(2):93-106.
9. Perry L. Screening swallowing function of patients with acute stroke: detailed evaluation of the tool used by nurses. J Clin Nurs. 2001;10(4):474-81.
10. Tohara H, Saitoh E, Mays KA, Kuhlemeier K, Palmer JB. Three tests for predicting aspiration without videofluorography. Dysphagia. 2003;18(2):126-34.
11. Okubo PCMI. Detecção de disfagia na fase aguda do acidente vascular cerebral isquêmico. Proposição de conduta baseada na caracterização dos fatores de risco. [tese]. Ribeirão Preto: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Departamento de Neurologia; 2008.
12. Miyamoto ST, Junior IL, Berg KO, Ramos LR, Natour J. Brazilian version of the Berg balance scale. Braz J Med Biol Res. 2004;37(9):1411-21.
13. Marchesan IQ, Krakauer LH. A Importância do trabalho respiratório na terapia miofuncional. In: Tópicos em fonoaudiologia. São Paulo: Lovise; 1995. p.155-60.
14. Ferreira EAG. Postura e controle postural: desenvolvimento e aplicação de método quantitativo de avaliação postural [tese]. São Paulo (SP): Universidade de São Paulo; 2005.
15. Pereira CAC, Neder JA. Diretrizes para teste de função pulmonar. J Pneumol. 2002;28(3):2-82.
16. Almeida OP. Mini mental state examination and the diagnosis of dementia in Brazil. Arq Neuropsiquiatr. 1998;56 (3B):605-12.
17. Atalaia-Silva KS, Lourenço RA. Translation, adaptation and construct validation of the Clock Test among elderly in Brazil. Rev Saúde Pública. 2008;42(5):930-7.
18. Chiappetta ALML. Disfagia orofaríngea em pacientes com doença do neurônio motor/ esclerose lateral amiotrófica [tese]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, Ciências da Saúde; 2005.
19. Gomes BM, Nardoni GCG, Lopes PG, Gooy E. O efeito da técnica de reeducação postural global em um paciente com hemiparesia pós acidente vascular encefálico. Acta Fisiatr. 2006;13(2):3-8.
20. Sacco ICN, Alibert S, Queiroz BWC et al. Confiabilidade da fotogrametria em relação à goniometria para avaliação postural de membros inferiores. Rev. Brás. Fisioter. 2007;11(5):411-7.
21. Farias NC, Rech I, Ribeiro BG, Oliveira CS, Menna W, Albuquerque CE, et al. Avaliação postural em hemiparéticos por meio do software SAPO – Relato de Caso. ConScientiae Saúde. 2009; 8(4):649-54.
22. Kisner C, Colby LA. Exercícios terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. 4ª Ed. São Paulo: Manole; 2005.
23. Kendal FP, Mc Creary EK, Provance PG. Músculos da face, olhos e pescoços; músculos da deglutição e músculos respiratórios. In: Kendal FP, Mc Creary EK, Provance PG. Músculos: provas e funções. 5ª Ed. São Paulo: Manole; 2007. p. 300-30.
24. Silva KCL, Limongi SCO, Flabiano FC et al. Relação entre a postura corporal e a respiração em crianças com alterações sensório-motoras. Revista Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. 2004; 9(1):25-31.
25. Val DC, Limongi SCO, Flabiano FC et al. Sistema estomatognático e postura corporal na criança com alterações sensório-motoras. Pró-Fono Revista de Atualização Cientifica. 2005; 17(3):345-54.
26. Santini CS. Disfagia neurogênica. In: Furkin AM, Santini CS. Disfagias orofaríngeas. 2ª Ed. Barueri: Pró-Fono, 2004. p. 19-34.
27. Magalhães LA, Bilton TL. Avaliação de linguagem e de deglutição de pacientes hospitalizados após acidente vascular cerebral. Distúrbios da Comunicação. 2004;6(1):65-81.
28. Bilton TL, Lederman HM. Abordagem da disfagia [CD-ROM]. Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia 2. Abr 2001:19-22.
29. Abreu, VPS; Tamar SAB. Reabilitação Cognitiva. In: Freitas GV, Py L, Néri PAL, Canção FAX, Gorzoni ML. Rocha SM. (editores). Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. p. 822-97.
30. Gilbert GH, Meng X, Duncan RP, Shelton BJ. Incidence of tooth loss and prosthodontic dental care: effect on chewing difficulty onset, a component of oral health-related quality of life. J Am Geriatr Soc. 2004; 52(6):880-5.
31. Brennan DS, Spencer AJ, Roberts-Thomson KF. Tooth loss, chewing ability and quality of life. Qualit Life Res. 2008; 17(2):227-35.
32. Felício CM. Sistema estomatognático e funções. In: Felício CM. Fonoaudiologia aplicada a casos odontológicos. São Paulo: Pancast; 1999. p.15-48.
33. Marocchio LS, Conceição MD, Tárzia O. Remoção da saburra lingual: comparação da eficiência de 03 técnicas. Rev Gau Odontol. 2009;57(4):443-8.
34. Trapl M, Enderle P, Nowotny M, Teuschl Y, Matz K, Dachenhausen A, Brainin M. Dysphagia bedside screening for acute-stroke patients. The gugging swallowing screening. Stroke. 2007;38:2948-52.
35. Marrara JL. Padrão visual da dinâmica vocal como instrumento para o diagnóstico da disfagia em pacientes com alterações neurológicas [dissertação]. São Carlos: Universidade de São Paulo, Escola de Engenharia de São Carlos; 2010.
36. Lourenço MFS, Santos SF, Silva APBV. Vocal profile in patients with neurogenic dysphagia. Fono Atual. 2005; 8(33):11-8.
37. Valim MA, Santos RS, Macedo Filho ED, Abdulmassih EMS, Serrato MRF. Intl. The relationship between the maximum time for phonation, fundamental frequency and protection of the lower airways in patients with neurological dysphagia. Arch. Otorhinolaryngol. 2007;11(3):260-6.
38. Mangilli LD, Amoroso MRM, Nishimoto IN, Barros APB, Carrara-de-Angelis E. Voz, deglutição e qualidade de vida de pacientes com alteração de mobilidade de prega vocal unilateral pré e pós-fonoterapia. Rev. soc. bras. fonoaudiol. 2008; 13(2):103-12.
39. Andrade LGC, Camargo ZA. Estudo preliminar da relação entre qualidade vocal e disfagia: uma abordagem acústica. [trabalho de conclusão de curso]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 2000.
Submetido em:
14/12/2011
Aceito em:
03/07/2012


