The use of repair strategies in the complex onset constituent: normal phonological development and phonological disorder
O uso de estratégias de reparo no constituinte onset complexo: desenvolvimento fonologico normal e desviante
Janaína Sofia Baesso; Helena Bolli Mota; Carolina Lisbôa Mezzomo; Simone Weide Luiz
Abstract
Purpose: to describe and to analyze the repair strategies used by children with normal phonological acquisition and phonological disorder in the complex onset syllable constituent, in order to examine the similarities as well as the differences in the studied groups.
Method: the analysis included speech data from 60 children with normal acquisition, 30 male and 30 female, in addition to 84 children with deviation, 53 male and 31 female. The age in the normal group was between 1:0 and 4:0, whereas in the deviation group it was between 3:0 and 11:0. The variables age, gender, preceding and following context, obstruent of complex onset, kind of liquid of complex onset, tonicity, number of syllables and position in the word were considered. Then, the data were submitted to statistical analysis in the VARBRUL program.
Results: the children with normal acquisition and deviation used the following resources, respectively: simplification strategies for C1V (93%; 77%), alteration of the obstruent feature (5%; 17%), alteration of the liquid feature (1%; 5%), epenthesis (1%; 0%) and metathesis (0%; 1%). The variables tonicity, preceding context and position in the word were not relevant to the study.
Conclusion: the most frequent resource was the simplification for C1V in both groups, but other strategies were applied, mainly in the deviation group. Considering the influence of the variables, it was possible to conclude that the variables: age, gender, kind of obstruent, kind of liquid of complex onset, following context and number of syllables influenced the studied resources.
Keywords
Resumo
Objetivo: descrever e analisar o uso das estratégias de reparo empregadas por crianças com aquisição fonológica normal e desviante, no constituinte silábico onset complexo, a fim de verificar as semelhanças e as diferenças existentes entre os grupos em estudo.
Método: foram utilizados dados de fala de 60 crianças com aquisição normal, 30 meninos e 30 meninas, e 84 crianças com aquisição desviante, 53 meninos e 31 meninas. A idade do grupo normal variou de 1:0 a 4:0, enquanto que a do grupo desviante variou de 3:0 a 11:0 anos. Foram consideradas as variáveis: idade, sexo, contexto precedente e seguinte, obstruinte do onset complexo, tipo de líquida do onset complexo, tonicidade, número de sílabas e posição na palavra. Posteriormente, os dados foram submetidos à análise estatística por meio do programa VARBRUL.
Resultados: as crianças com desenvolvimento fonológico normal e desviante utilizaram os seguintes recursos, respectivamente: simplificação para C1V (93%; 77%), alteração do traço da obstruinte (5%; 17%), alteração do traço da líquida (1%; 5%), epêntese (1%; 0%) e metátese (0%; 1%). As variáveis tonicidade, contexto precedente e posição na palavra não foram relevantes no estudo.
Conclusão: o recurso mais frequente foi o de simplificação para C1V em ambos os grupos, contudo, outras estratégias foram aplicadas, principalmente, pelo grupo desviante. Quanto à influência das variáveis, concluiu-se que as variáveis idade, sexo, tipo de obstruinte e tipo de líquida do onset complexo, contexto seguinte e número de sílabas influenciaram de alguma forma os recursos estudados.
Palavras-chave
References
1. Lamprecht RR, organizador. Aquisição fonológica do Português. Perfil de desenvolvimento e subsídios para terapia. Porto Alegre: Artmed; 2004.
2. Ghisleni MRL, Keske-Soares M, Mezzomo CL. O uso das estratégias de reparo, considerando a gravidade do desvio fonológico evolutivo. Rev. CEFAC. 2010; 12 (5): 766-71.
3. Othero G. Processos fonológicos na aquisição da linguagem pela criança. [periódico online] Rev Virtual Estudos Linguag. 2005; (5): 1-13. [acesso em 15 de abril de 2009]. Disponível em: URL: http://www.revel.inf.br.
4. Dias RF, Mota HB, Mezzomo CL. A consciência fonológica e a consciência do próprio desvio de fala nas diferentes gravidades do desvio fonológico. Rev. CEFAC. 2009 Out-Dez; 11(4):561-70.
5. Miranda ARM. A aquisição das líquidas não laterais no português do Brasil. Letras de Hoje. 1998; 33 (2): 123-31.
6. Mezzomo CL. Aquisição da coda no português brasileiro: uma análise via teoria de Princípios e Parâmetros. [tese]. Porto Alegre (RS): Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; 2004.
7. Vidor D. Aquisição das líquidas não laterais por crianças com desvios fonológicos evolutivos: descrição, análise, e comparação com o desenvolvimento normal. Letras de Hoje. 2001; 36(3):715-20.
8. Giacchini V, Mota HB, Mezzomo CL. Diferentes modelos de terapia fonoaudiológica nos casos de simplificação do onset complexo com alongamento compensatório. Rev. CEFAC. 2011; 13(1):57-64.
9. Gálea DES. Percurso da aquisição dos encontros consonantais, fonemas e estruturas silábicas em crianças de 2:1 a 3:0 anos de idade. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009; 14(1):151.
10. Ribas L. Onset complexo: características da aquisição. Letras de Hoje. 2003; 38(2):23-31.
11. Ribas L. Onset complexo nos desvios fonológicos: descrição, implicações para a teoria, contribuições para terapia [tese]. Porto Alegre (RS): Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; 2006.
12. Miranda I. Aquisição e variação estruturada de encontros consonantais tautossilábicos. [tese]. Belo Horizonte (MG): Universidade Federal de Minas Gerais; 2007.
13. Cavalheiro LG, Keske-Soares M. Prevalência do desvio fonológico em crianças de 4 a 6 anos de idade. Pró-Fono. 2008; 20 (supl.): 11-3.
14. Attoni TM, Albiero JK, Berticelli A, Keske-Soares M, Mota HB. Onset complexo pré e pós-tratamento de desvio fonológico em três modelos de terapia fonológica Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010;15(3):395-400.
15. Lamprecht RR. Diferenças no ranqueamento de restrições com origem de diferenças na aquisição fonológica. Letras de Hoje. 1999; 34(3):65-82.
16. Keske-Soares M, Lamprecht RR, Pagliarin KC, Ghisleni MRL. Aquisição não-linear durante o processo terapêutico. Letras de Hoje. 2008; 43(3):22-6.
17. Grunwell P. Os desvios fonológicos evolutivos numa perspectiva linguística. In: Yavas M, organizador. Desvios fonológicos em crianças. Porto Alegre: Mercado Aberto; 1990; 51-82.
18. Wertzner HF, Pagan LO, Galea DES, Papp ACCS. Características fonológicas de crianças com transtorno fonológico com e sem histórico de otite média. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. 2007;12(1):41-7
19. Wertzner HF, Amaro L, Galea DE. Phonological performance measured by speech severity indices compared with correlated factors. São Paulo Med J. 2007; 125(6): 309-14.
20. Schriberg LD. Five subtypes of developmental phonological disorders. Clinics in Communication Disorders. 1994; 4: 38-53.
21. Schriberg LD, Lewis BA, McSweeny JL, Wilson DL. The speech disorders classification system (SDCS): Extensions and lifespan reference data. Journal of Speech, Language, and Hearing Research. 1997; 40: 723-40.
22. Yavas M, Hernandorena C, Lamprecht R. Avaliação fonológica da criança. Porto Alegre: Artes Médicas; 1991.
23. Cedergren HJ, Sankoff D. Variable rules: performance as a statistical reflexion of competence. Language. 1974; 50(2):332-55.
24. Scherre M. Introdução ao Pacote VARBRUL para microcomputadores. Rio de Janeiro: UFRJ; 1993.
25. Ferrante C, Borsel J, Pereira M. Análise dos processos fonológicos com desenvolvimento fonológico normal. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009; 14(1):36-40.
26. Patah LK, Takiuchi N. Prevalência das alterações fonológicas e uso dos processos fonológicos em escolares aos 7 anos. Rev. CEFAC. 2008; 10(2):158-67.
27. Mann W, Marshall CR, Mason K & Morgan G. The acquisition of sign language: The impact of phonetic complexity on phonology. Language Learning and Development. 2010; 6: 60-86.
28. Keske-Soares M, Mota HB, Pagliarin KC. Estudo sobre os ambientes favoráveis à produção da líquida não-lateral /r/ no tratamento do desvio fonológico. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2007; 12(1):48-54.
29. Mota H. Aquisição segmental do Português: um modelo implicacional de complexidade de traços. Letras de Hoje. 1997; 32(4):23-47.
30. Mezzomo C, Baesso J, Athayde M, Dias R, Giacchini V. O papel do contexto fonológico no desenvolvimento da fala: implicações para a terapia dos desvios fonológicos evolutivos. Letras de Hoje. 2008; 43 (3): 15-21.
31. Marshall CR. van der Lely HKJ. Effects of word position and stress on onset cluster production: Evidence from typical development, SLI and dyslexia. Language. 2009; 85: 39–57.
32. Mezzomo C, Mota H, Dias R, Giacchini V. O uso da estratégia de alongamento compensatório em crianças com desenvolvimento fonológico normal e desviante. Letras de Hoje. 2008; 43 (3): 35-41.
33. Ferrante C, Borsel J, Pereira M. Aquisição fonológica de crianças de classe sócio econômica alta. Rev CEFAC. 2008; 10 (4): 452-60.
34. Vito, R, Cardoso-Martins C. Desenvolvimento fonológico de crianças pré-escolares da Região Noroeste de Belo Horizonte. Psicologia em Revista. 2007; 13 (2): 383-98.
35. Mota H, Athayde M, Mezzomo CL. O acesso ao léxico em crianças com desenvolvimento fonológico normal e desviante. Letras de Hoje. 2008; 43(3): 54-60.
36. Magalhães J. Produção de oclusivas mais líquida não lateral e consciência fonológica na fala de crianças em aquisição de linguagem: análise pela geometria de traços [dissertação]. Uberlândia (MG): Universidade Federal de Uberlândia; 2000.
37. Zitske BC. Um levantamento de metáteses na fala de crianças em fase de aquisição de linguagem. Letras de Hoje. 2001; 36(3):219-22.
38. Blevins J, Garret A. The evolution of metathesis. In: Hayes B, Kirschner R, Steriade D, organizadores. Phonetically based phonology. Cambridge: Cambridge University Press; 2004; 117-56.
39. Linassi L, Keske-Soares M, Mota H. Habilidades de memória de trabalho e o grau de severidade do desvio fonológico. Pró-Fono. 2005; 17(3):383-92.
40. Clements GN, Hume EV. The internal organization of speech sounds. In: Goldsmith J, organizador. The handbook of phonological theory. London: Basil Blackwell; 1995.
Submitted date:
08/24/2011
Accepted date:
12/22/2011


