Revista CEFAC
https://revistacefac.org.br/article/doi/10.1590/S1516-18462011005000002
Revista CEFAC
Artigos Originais

Tempos máximos de fonação e características vocais acústicas de mulheres com nódulos vocais

Maximum phonation time and vocal acoustic characteristics for women with vocal fold nodule

Carla Aparecida Cielo; Sabrina Schützenhofer Lasch; Shanna Lara Miglioranzi; Giseane Conterno

Downloads: 0
Views: 236

Resumo

Objetivo: descrever os tempos máximos de fonação (TMF) e características vocais acústicas de mulheres adultas jovens com nódulos vocais.

Método: coleta dos TMF das vogais /a/, /i/ e /u/; da relação s/z e medidas acústicas da fonte glótica (Multi Dimensional Voice Program Advanced da Kay PENTAX) de 20 sujeitos do sexo feminino, com faixa etária entre 20 e 40 anos, dez com laudo otorrinolaringológico de nódulos vocais e dez com laudo de laringe normal.

Resultados: quanto aos TMF, o grupo sem nódulos (GSN) apresentou 90% dos resultados normais e 10% diminuídos, e o grupo com nódulos (GCN) apresentou 70% dos resultados normais e 30% diminuídos; na relação s/z, todo o GSN apresentou resultados dentro dos padrões da normalidade e o GCN apresentou 70% de resultados normais e 30% aumentados; ambos os grupos apresentaram todas as medidas vocais acústicas dentro da normalidade, com exceção do GSN que apresentou vf0 aumentada.

Conclusão: as mulheres jovens com nódulos vocais apresentaram medidas de TMF e de relação s/z sem diferenças significativas em relação às mesmas medidas de mulheres sem afecção laríngea. As medidas acústicas da fonte glótica foram semelhantes e dentro da normalidade para ambos os grupos, com exceção da medida do cociente de variação de frequência fundamental (vf0) que foi elevada no GSN, sugerindo incoordenação penumofonoarticulatória. As medidas de TMF e da relação s/z, mesmo sem diferenças significativas, pareceram mais sensíveis à presença do predomínio aerodinâmico dos nódulos vocais do que as medidas acústicas.

Palavras-chave

Voz; Distúrbios da Voz; Cordas Vocais; Avaliação em Saúde

Abstract

Purpose: to describe maximum phonation time (MPT) and vocal acoustic characteristics for young adult women with vocal fold nodules.

Method: collection of MPT of the vowels /a/, /i/ and /u/; s/z ratio and acoustic measures of the glottal source (Multi Dimensional Voice Program Advanced from Kay PENTAX) of 20 female subjects, aged between 20 and 40 year old, being ten with otorhinolaryngologic diagnosis of vocal fold nodules and ten with normal larynx diagnosis.

Results: regarding the MPT, the group with normal larynx (GNL) showed 90% of normal values and 10% reduced, while the group with nodules (GWN) showed 70% of normal values and 30% reduced; the s/z ratio showed results within normal patterns, for the whole GNL, while the GWN showed 70% of normal results and 30% increased; both the groups had all the vocal acoustic measures within normality range, except for the GNL which showed increased vf0.

Conclusion: young women with vocal nodules showed MPT and s/z ratio measures with no significant differences in relation to the same measures for women with no laryngeal affection. The acoustic measures of glottal source were similar and within normal limits for both groups, except the quotient of variation of fundamental frequency (vf0) measure which was increased in GNL, suggesting pneumophonocardiatory incoordination. The MPT and s/z ratio measures, even without significant differences, seemed to be more sensitive to the presence of aerodynamic prevalence of vocal nodules than the acoustic measures.

Keywords

Voice; Voice Disorders; Vocal Cords; Health Evaluation

Referências

1. Behlau M, Madazio G, Pontes P. Disfonias organofuncionais. In: Behlau M, organizador. Voz: o livro do especialista. vol 1. Rio de Janeiro: Revinter; 2001. p. 295-341.

2. Elhendi W, Santos S, Matul CR, Rossi M, Dios C, Labella T. Nódulos vocales: puesta al día. ORL-DIPS. 2005; 32(3):142-9.

3. Pontes P, Kyrillos L, Behlau M, De Biase N, Pontes A. Vocal nodules and laryngeal morphology. J Voice. 2002; 16(3):408-14.

4. Neves BMJ, G. Neto J, Pontes P. Diferenciação histopatológica e imunoistoquímica das alterações epiteliais no nódulo vocal em relação aos pólipos e ao edema de laringe. Rev Bras Otorrinolaringol. 2004; 70(4):439-48.

5. Braga JN, Oliveira DSF, Atherino CCT, Schott TCA, Silva JC. Nódulos vocais: análise anátomo-funcional. Rev CEFAC. 2006; 8(2):223-9.

6. Cielo CA, Conterno G, Carvalho CDM, Finger LS. Disfonias: relação s/z e tipos de voz. Rev CEFAC. 2008; 10(4):536-47.

7. Pinho SMR. Avaliação e tratamento de voz. In: Pinho SMR. Fundamentos em fonoaudiologia: tratando os distúrbios da voz. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2003. p. 3-40.

8. Beber BC, Cielo CA, Siqueira MA. Lesões de borda de pregas vocais e tempos máximos de fonação. Rev CEFAC. 2009; 11(1):134-41.

9. Tavares ELM, Martins RHG. Vocal evaluation in teachers with or without symptoms. J Voice. 2007; 21(4):401-14.

10. Gama AC. Análise acústica da voz: estudo comparativo entre mulheres sem queixa vocal e com disfonia [dissertação]. São Paulo (SP): Escola Paulista de Medicina; 1997.

11. Sader RCM, Hanayama EM. Consideração teóricas sobre a abordagem acústica da voz infantil. Rev CEFAC. 2004; 6(3):312-8.

12. Felippe ACN, Grillo MHM, Grechi TH. Normatização de medidas acústicas para vozes normais. Rev Bras Otorrinolaringol. 2006; 72(5):659-64.

13. Behlau M, Madazio G, Feijó D, Pontes P. Avaliação de voz. In: Behlau M, organizador. Voz: o livro do especialista. vol. 1. Rio de Janeiro: Revinter; 2001. p. 85-246.

14. Kelchner LN, Horne J, Lee L, Klaben B, Stemple JC, Adam S, et al. Reliability of speech-language pathologist and otolaryngologist ratings of laryngeal signs of reflux in an asymptomatic population using the reflux finding score. J Voice. 2007; 21(1):92-100.

15. Figueiredo LC, Gonçalves MIR, Pontes A, Pontes P. Estudo do comportamento vocal no ciclo menstrual: avaliação perceptivo-auditiva, acústica e auto-perceptiva. Rev Bras Otorrinolaringol. 2004; 70(3):331-9.

16. Prado AC. Principais características da produção vocal do deficiente auditivo. Rev CEFAC. 2007; 9(3):404-10.

17. Bolzan GP, Cielo CA, Brum DM. Efeitos do som basal em fendas glóticas. Rev CEFAC. 2008; 10(2):218-25.

18. Barros APB, Carrara-De Angelis E. Análise acústica da voz. In: Dedivitis RA, Barros APB. Métodos de avaliação e diagnóstico de laringe e voz. São Paulo: Lovise; 2002. p. 201-21.

19. Cappellari VM, Cielo CA. Características vocais acústicas de crianças pré-escolares. Rev Bras Otorrinolaringol. 2008; 74(2):265-72.

20. Gama ACC, Behlau, MS. Estudo da constância de medidas acústicas de vogais prolongadas e consecutivas em mulheres sem queixa de voz e em mulheres com disfonia. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009; 14(1):8-14.

21. Hamdan AL, Medawar W, Youness A, Bikhazi H, Fuleihan N. The effect of hemodialysis on voice: an acoustic analisys. J Voice. 2005; 19(2):290-5.

22. González BS, Batalla FN, Santos PC, Suarez Nieto C. Índice de incapacidade vocal: factores predictivos. Acta Otorrinolaringol Esp. 2006; 57:101-8.

23. Roman-Niehues G, Cielo CA. Modificações vocais acústicas produzidas pelo som hiperagudo. Rev CEFAC, 2009. no.ahead


Submetido em:
20/08/2009

Aceito em:
10/11/2010

6a46e867a953953648049ac3 cefac Articles
Links & Downloads

Revista CEFAC

Share this page
Page Sections