Relação entre gravidade do desvio fonológico e fatores familiares
Relationship among severity of phonological disorders and familial factors
Karina Carlesso Pagliarin; Ana Rita Brancalioni; Márcia Keske-Soares; Ana Paula Ramos de Souza
Resumo
Objetivo: analisar a relação entre os fatores familiares e as diferentes gravidades.
Método: foram analisadas entrevistas iniciais, realizadas com base em um protocolo padronizado que incluía questões referentes à história gestacional, a antecedentes patológicos familiares e ao relacionamento familiar de 152 crianças com desvio fonológico, com idades entre 4:0 a 8:0 anos. Os fatores familiares investigados foram: gravidez não planejada; dependência (de um dos pais e/ou ambos) de álcool e/ou drogas; distúrbios de fala, linguagem, e/ou audição apresentados por pais e/ou familiares de primeiro grau; distúrbios psicológicos apresentados pelos pais; pais separados; pai ausente e perda de parentes próximos. Em seguida, a gravidade do desvio fonológico foi calculada segundo o Percentual de Consoantes Corretas-Revisado e, classificada em quatro grupos: desvio leve (n=49), leve-moderado (n=67), moderado-grave (n=24), grave (n=12). Por fim, os dados foram tabulados e submetidos a tratamento estatístico, utilizando o teste Exato de Fisher, considerando-se p<0,05.
Resultados: verificou-se um predomínio do grupo com grau moderado-grave para os aspectos gravidez não planejada, dependência de álcool e/ou drogas, e presença de distúrbios de fala, linguagem e/ou audição em familiares, pais separados, pais ausentes e perda de parentes. Contudo essa diferença não foi estatisticamente significante. Para o aspecto distúrbios psicológicos, houve predomínio para o grupo de grau leve com diferença estatisticamente significante.
Conclusão: os aspectos familiares estudados parecem não ter relação direta com a gravidade do desvio fonológico, com exceção de distúrbios psicológicos. Contudo, a investigação de aspectos familiares em crianças com desvio fonológico não deixa de ser importante para conduzir melhor o tratamento.
Palavras-chave
Abstract
Purpose: to analyze the relationship among familial factors and different severity levels.
Method: initial interviews were analyzed, based on a standardized protocol that included questions related to gestational history, family pathological antecedents and family relationship of 152 children with phonological disorders, aged between 4:0 and 8:0 years old. The familial factors investigated were: unplanned pregnancy; dependence (of one parent and/or both) on alcohol and/or drugs; speech, language and/or hearing disorders presented by parents and/or first-degree relatives; psychological disorders presented by parents; separated parents; absent father and loss of close relatives. Afterwards, the severity of the phonological disorder was calculated according to the Percentage of Correct Consonants-Revised and classified into four groups: mild (n=49), mild-moderate (n=67), moderate-severe (n=24), severe (n=12). Finally, data were tabulated and submitted to statistical analysis, using Fisher's Exact Test, considering p<0.05.
Results: there was a predominance of the moderate-severe group for the aspects unplanned pregnancy, alcohol and/or drug dependence, presence of speech, language and/or hearing disorders in relatives, separated parents, absent father and loss of relatives. However, this difference was not statistically significant. For the aspect psychological disorders, there was a predominance for the mild group with statistically significant difference.
Conclusion: the familial aspects studied seem to have no direct relation with the severity of the phonological disorder, except for psychological disorders. However, the investigation of familial aspects in children with phonological disorders is still important to better conduct the treatment.
Keywords
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Submitted date:
21/08/2009
Accepted date:
20/12/2009
