Comparative study on the vocal profile of professional theater actors and student actors
Estudo comparativo do perfil vocal de atores de teatro profissionais e atores em fase de formação acadêmica
Priscila Esteves Spagnol; Mauriceia Cassol
Abstract
Purpose: to compare the vocal profile of professional theater actors and of student actors to check if there are differences between their voice use patterns.
Methods: the sample consisted of 25 professional actors and 25 student actors. The study was carried out by recording and analyzing the subjects' voices, using the GRBASI scale (auditory-perceptual analysis) and the software Dr. Speech (acoustic analysis). The computerized analysis assessed fundamental voice frequency, jitter, shimmer, and neutralized noise energy. A questionnaire was applied to measure aspects related to vocal self-image.
Results: in the auditory-perceptual analysis, a statistically significant difference was found between the groups regarding roughness (p=0,006) and strain (p=0,02), while the acoustic analysis showed no difference between the groups. The vocal self-image report, in both groups, highlighted the perception of being off-key.
Conclusion: when comparing the groups, vocal changes were more common in professional actors, which suggests this groups experiences vocal overload, which is a warning for the need for developing voice training for actors.
Keywords
Resumo
Objetivo: comparar o perfil vocal de atores de teatro profissionais e de atores em fase de formação acadêmica para verificar se existem diferenças entre o padrão de uso de voz.
Métodos: a amostra consistiu de 25 atores profissionais e de 25 atores em fase de formação acadêmica. O estudo foi realizado por meio do registro e análise de vozes dos participantes, utilizando-se a escala GRBASI (análise percepto-auditiva) e o software Dr. Speech (análise acústica). Com relação à análise acústica, foram analisadas as seguintes variáveis: frequência fundamental, Jitter, Shimmer e energia de ruído glótico. Aplicou-se um questionário para mensurar aspectos relacionados à autoimagem vocal.
Resultados: na análise perceptivo-auditiva, houve diferença estatisticamente significante entre grupos nas variáveis rugosidade (p=0,006) e tensão (p=0,02). A análise acústica não demonstrou diferenças entre os grupos. Quanto à autoimagem vocal, um item que se destacou em ambos os grupos foi desafinação.
Conclusão: levando em consideração a comparação realizada entre os grupos estudados, a frequência das alterações vocais foi mais encontrada nos atores profissionais, o que nos aponta para uma sobrecarga vocal nesse grupo, alertando para a necessidade do desenvolvimento de um trabalho de preparação vocal do ator.
Palavras-chave
Referências
1. Oliveira DSF. Voz na Arte: uma contribuição para o estudo da voz falada no teatro. In: Guberfain JC (organizadora). Voz em Cena. Volume 1. Rio de janeiro, Revinter; 2004. P. 1-19
2. Pinczower R, Oates J. Vocal projection in actors: the longterm average spectral features that distinguish comfortable acting voice from voicing with maximal projection in male actors. J Voice. 2005;19:440-53.
3. Roy N, Ryker K, Bless D. Vocal violence in actors: an investigation into its acoustic consequences and the effects of hygienic laryngeal release training. J Voice. 2000;14:215.
4. Oliveira DSF. A voz e o teatro. In: Valle MGM. Voz: diversos enfoques em fonoaudiologia. Rio de Janeiro, Revinter; 2002. P. 41-58.
5. Walzak P, McCabe P, Madill C, Sheard C: Acoustic changes in student actors' voices after 12 months of training. J Voice. 2008;22(3):300-13.
6. Miranda ICC, Ladeira AC, Gouvêia VL, Costa VR: Auto-análise vocal de alunos do curso de teatro. Distúrb Comum. 2012;24(3):369-78.
7. Aydos B, Hanayama EM. Técnicas de aquecimento vocal utilizadas por professores de teatro. Rev CEFAC. 2004;6(1):83-8.
8. Cho SW, Yin CS, Park Y-B, Park Y-J. Differences in self-rated, perceived, and acoustic voice qualities between high- and low-fatigue groups. J Voice. 2011;25(5):544-52.
9. Master S. Análise acústica e perceptivo-auditiva da voz de atores e não atores masculinos: long term average spectrum e o "formante do ator" [tese]. São Paulo (SP): UNIFESP; 2005.
10. Ditscheiner ES, Constantini AC, Mourão LF, Ferreira LP: Análise perceptiva e acústica da dublagem de diferentes personagens e atores: estudo de caso. Distúrb Comun. 2012;24(3):395-406.
11. Smits I, Ceuppens P, De Bodt MS: A comparative study of acoustic voice measurements by means of Dr. Speech and Computerized Speech Lab. J Voice. 2005;19:187-96.
12. Siqueira MA, Moraes ZR: Estudo dos valores referencias para as principais variáveis do programa Doctor Speech em falantes adultos do sul do Brasil. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2005;10(3):139-46.
13. Barrichelo-Lindstro¨m V, Behlau M. Resonant voice in acting students: perceptual and acoustic correlates of the trained y-buzz by lessac. J Voice. 2009;23(5):603-9.
14. Cassol M, Reppold CT, Ferrão Y, Gurgel LG, Almada CP. Análise de características vocais e de aspectos psicológicos em indivíduos com transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. soc. bras. Fonoaudiol. 2010;15(4):491-6.
15. Hirano M. Psycho-acoustic evaluation of voice: GRBAS Scale for evaluating the hoarse voice. Clinical Examination of voice. Springer Verlag, 1981.
16. Navas DM. A voz no teatro. In: Pinho SMR. Temas em voz profissional. Rio de Janeiro, Revinter, 2007. P. 103-9.
17. Brito MS. Abordagem fonoaudiológica nas escolas de teatro privadas e públicas. Fonoaudiol Bras. 2000;3(3):8-14.
18. Behlau MS, Tosi O. Determinação da frequência fundamental e suas variações em altura ("jitter") e intensidade ("shimmer") para falantes do português brasileiro. Acta AWHO. 1985;4(1):5-10.
19. Araujo SA, Grellet M, Pereira JC. Normatização de medidas acústicas da voz normal. Rev Bras Otorrinolaringol. 2002;68(4):540-4.
20. Spinelli ICP, Behlau M. Estudo comparativo das medidas de frequência fundamental, jitter e shimmer em diferentes sistemas de análise vocal. In: Behlau M. A voz do especialista. vol.1. Rio de Janeiro, Revinter, 2001. P. 265-71.
21. Huang D, Lin S, O´Brien R. User´s guid of Dr. Speech for windows. Version 3.0. Seattle – EUA, Tiger Eletronics, 2000.
22. Kovacic G, Budanovac A. Acoustic characteristic of adolescent actors' voices and non-actors' voices. Folia Phoniatr Logop. 2000;54:125–32.
23. Awan SN. Superimpositon of speaking voice characteristics and phonetograms in untrained and trained vocal groups. J Voice. 1993;7:30-7.
24. Bicalho AD, Behlau M, Oliveira G. Termos descritivos da própria voz: comparação entre respostas apresentadas por fonoaudiólogos e não-fonoaudiólogos. Rev CEFAC. 2010; 12(4):543-50.
25. Belo S. A voz na criação cénica – reflexões sobre a vocalidade do actor. European review of artistic studies. 2011;2(1):17- 44.
26. Sobreira S. Desafinação Vocal. Rio de Janeiro, Musimed, 2ª ed, 2003.
Submetido em:
19/12/2014
Aceito em:
01/04/2015


