Revista CEFAC
https://revistacefac.org.br/article/doi/10.1590/1982-0216/202022517718
Revista CEFAC
Original Articles

Gestures in the speech-language pathology clinic: a study in the light of the materialist discourse analysis

O gesto na clínica fonoaudiológica: um estudo sob o olhar da análise discursiva materialista

Michelle Fogaça de Oliveira Kitahara; Regina Maria Ayres de Camargo Freire

Downloads: 0
Views: 299

Abstract

Objective:  this study aimed to investigate gestures in the speech-language pathology clinic and the dominant ideology in the light of the Materialist Discourse Analysis.

Methods:  twelve speech-language pathologists who work in different clinical fields were interviewed to investigate the main discursive thread supporting their discourse. These semi-open interviews were recorded and the discursive data were later transcribed. Fragments were extracted and analyzed from the above mentioned perspective.

Results:  the analysis shows that the conducting thread of the therapists’ discourse is the positivist ideology of Science, which fragments the subjects, body and language allocating speech and gesture in a hierarchy system where gesture is subordinated to the former. The language materiality shows an unconscious identification of the therapists with the signifier “Fono-Speech, Audio-Audio, Logia-Study” (Fonoaudiologia, or Speech-language Pathology in Portuguese), since the return of speech and their professional identity is brought up. From this perspective, there are formations that challenge the dominant ideology welcoming gesture as an important tool in the clinic, both in evaluation and treatment.

Conclusion:  the dominant ideological belief shows a hierarchical and historical association between speech and gesture that excludes gesture of the speech-language pathology clinic as it represents a threat to the speech status and the identity of this professional.

Keywords

Gesture; Address; Speech, Language and Hearing Sciences; Practice

Resumo

Objetivo: esta pesquisa procurou investigar o gesto na clínica fonoaudiológica e a ideologia dominante à luz da teoria-metodológica da análise discursiva materialista.

Métodos: o procedimento para a coleta de dados foi uma entrevista semi-aberta com 12 fonoaudiólogas que atuam em diferentes campos clínicos em busca do fio discursivo que sustenta o discurso da Fonoaudiologia. A coleta de dados foi gravada em áudio e vídeo e dos dados discursivos transcritos, extraiu-se fragmentos que foram analisados sob a ótica apontada acima.

Resultados: a análise discursiva indica que o fio condutor do discurso dos fonoaudiólogos é a ideologia positivista da ciência que fragmenta os sujeitos, os corpos, a linguagem e hierarquiza fala e gesto, sendo que este último se encontra subordinado ao primeiro. A materialidade da língua revela uma identificação inconsciente das terapeutas com o significante Fono-audio-logia, na medida em que o retorno à fala e a sua identidade profissional são trazidos à tona. O atendimento à surdos aparece amalgamado ao discurso sobre o gesto, em que este como forma de comunicação codificada na Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS, representa uma ameaça ao estatuto da fala. Ainda sobre o significante fala, observou-se um deslizamento de sentidos daquele somente relacionado a articulação dos sons para aquilo que afeta o outro pela linguagem das mãos, dos gestos. Sob esta ótica, há também formações que contestam a ideologia dominante e abrem espaço para acolher o gesto na clínica, na avaliação e na terapêutica evidenciando que o gesto tem feito parte da práxis deste profissional, tanto por meio abordagens terapêuticas já conhecidas, bem como, na singularidade deste profissional evidenciando a importância e a necessidade do recrutamento do gesto na clínica fonoaudiológica.

Conclusão: a crença ideológica dominante evidencia uma relação hierárquica e histórica entre fala e gesto que o exclui da clínica fonoaudiológica a medida em que representa uma ameaça ao estatuto da fala e a identidade deste profissional.

Palavras-chave

Gestos; Discurso; Fonoaudiologia; Prática

References

1. Freire R. Se Silêncio, que Silêncio: em cena a clínica fonoaudiológica. Distúrb. Comum. 2009;1(21):101-05. 

2. Nunes LROP. Linguagem e Comunicação Alternativa: uma introdução. In: Nunes LROP (org). Favorecendo o Desenvolvimento da Comunicação em Crianças e Jovens com Necessidades Especiais Educacionais. Rio de Janeiro: Dunya; 2003. p.1-13. 

3. Chun RYS. Comunicação suplementar e/ou alternativa: abrangência e peculiaridades dos termos e conceitos em uso no Brasil. Pró-Fono R Atual Cient. 2009;1(21):69-74. 

4. Fedosse E, Santana AP. Gesto e Fala: ruptura ou continuidade? Distúrb. Comum. 2002;2(13):243-55. 

5. McNeill D. Language and Gesture. UK: Cambridge University Press; 2000. 

6. McNeill D. Hand and mind: what gestures reveal about thought. USA: Chicago University Press; 1992. 

7. Iverson J, Goldin-Meadow S. Gestures paves the way for language development. Psychol Sci. 2005;16(05):367-71. 

8. Kendon A. Gestures as illocutionary and discourse structure markers in southern Italian conversation. J Pragmat. 1995;23(3):247-79. 

9. Capone NC, Mcgregor KK. Gesture development: a review for clinical and research practices. J Speech Lang Hear R. 2004;47(1):173-86. 

10. Yu C, Smith LB. Multiple sensory-motor pathways lead to coordinated visual attention. Cogn Sci. 2016;1(21):5-31. 

11. Goldin-Meadow SG, Alibali MW. Gesture’s role in speaking, learning, and creating language. Annual Rev Psychol. 2013;64(1):257-83. 

12. Guedes ZCF. A Linguagem por meio dos gestos. In: Kyrillos LV (ed). Expressividade: da Teoria à Prática. Revinter, Rio de Janeiro; 2005. p. 75-89. 

13. Rauscher FH, Krauss RM, Chen Y. Gesture, speech, and lexical access: the role of lexical movements in speech production. Psychol Sci. 1996;7(4):226-31. 

14. Cook SW, Goldin-Meadow S. The role of gesture in learning: do children use their hands to change their minds? Cogn Develop. 2006;7(2):211-32. 

15. Fedosse E. Da relação linguagem e praxia: estudo neurolinguístico de um caso de afasia [dissertação]. Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem; 2000. 

16. Code C, Gaunt C. Treating severe speech and limb apraxia in a case of aphasia. Int J Lang Comm Dis. 1986;21(1):11-20. 

17. Coudry MIH. Língua, discurso e lógica da linguagem patológica. Cadernos da FFC. 1977;6(2):99-129. 

18. Losápio MF, Pondé MP. Tradução para o Português da Escala M-CHAT para Rastreamento Precoce de Autismo. Rev Psiquiat. 2008;30(3):221-9. 

19. Muratori F. O Diagnóstico precoce no Autismo: guia prático para pediatras. Núcleo Interdisciplinar de Intervenção Precoce da Bahia, Salvador; 2014. 

20. Barbosa MA, Oliveira MA, Siqueira KM, Damas KCA, Prado MA. Linguagem Brasileira de Sinais: um desafio para a assistência de enfermagem. Rev Enferm UERJ. 2003;7(3):247-51. 

21. Sheetz NA. Orientation to deafness (2 ed). Allyn and Bacon, Needham Heights, Massachusetts; 2001. 

22. Guarinello AC, Massi G, Berberian AP, Tonocchi R, Lustosa SS. Speech language therapy bilingual clinic, a written language therapeutical proposal to deaf people: case report. CoDAS. 2015;27(5):498-504. 

23. Pelosi MB. Proposta de implementação da comunicação alternativa e ampliada nos hospitais do município do Rio de Janeiro. Temas Desenvol. 2005;14(80-81):47-53. 

24. Pelosi MBA. Comunicação alternativa escrita. In: Nunes LROP (ed). Favorecendo o desenvolvimento da comunicação em crianças e jovens com necessidades educacionais especiais. Dunya, Rio de Janeiro, RJ; 2003. p. 203-16. 

25. Leybart J, Lasasso CJ. Cued speech for enhancing speech perception and first language development of children with cochlear implants. Trends Hear. 2010;2(14):96-112. 

26. Passy J. A Handful of sounds: cued articulation in practice. Acer Press, Camberwell, Victoria; 2003. 

27. Sheeny K, Duffy H. Attitudes to Makaton in the Ages on integration and inclusion. Int J Spec Educ. 2009;24(02):91-102. 

28. Seal B. About Baby Signing. The ASHA Leader [serial on the internet]. 2010 Nov. Available from: http://leader.pubs.asha.org/article.aspx?articleid=2291803 

29. Tabak J. Significant gestures: a history of American sign language. Westport, Praeger; 2006. 

30. Asp CW. Verbotonal Speech Treatment. Plural Publishing, San Diego, CA; 2006. 

31. Mattos PLCL. A entrevista não-estruturada como forma de conversação: razões e sugestões para sua análise. RAP. 2005;39(4):823-47. 

32. Orlandi EP. Análise de discurso: princípios e procedimentos (2 ed). Pontes, Campinas, São Paulo. 2000. 

33. Orlandi EP. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Vozes, Petrópolis, Rio de Janeiro; 1996. 

34. Pecheux M. Language, semantics and ideology. St. Martins Press, New York; 1982. 

35. Brandão HKN. Introdução à análise do discurso (2 ed). Editora da Unicamp, Campinas, São Paulo; 2004. 

36. Lagazzi S. O Desafio de dizer não. Pontes, Campinas, São Paulo; 1988. 

37. Pereira LTK, Godoy DMA, Terçariol D. Estudo de caso como procedimento de pesquisa científica: reflexão a partir da clínica fonoaudiológica. Psicol Reflex Criti. 2009;22(3):422-9. 

38. Aarão PC, Pereira FCB. Histórico da Fonoaudiologia: relato de alguns estados brasileiros. Rev Med. 2011;21(2):238-44. 

39. Pecheux M. Análise automática do discurso. In: Gadet F, Hak T (eds). Por uma análise automática do discurso: uma introdução a obra de Michel Pecheux. UNICAMP, Campinas, SP; 1993. p. 319. 

40. Courtine JJ. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. EdUFSar, São Carlos, SP; 2014.


Submitted date:
04/22/2020

Accepted date:
09/01/2020

6a0e582ea95395652f2f1e34 cefac Articles

Revista CEFAC

Share this page
Page Sections